Quando o paipai vai matricular seus pimpolhos numa escola, ele pensa numa série de variáveis: quase sempre começa pelo custo da escola, localização, quem são os professores, quanto tempo de aula seus filhotes terão, se tem “extras” (detesto este termo) – artes plásticas, música, sapateado, e o escambau, SE VAI APROVAR PRO VESTIBULAR, etc, etc.
Obviamente, todo pai e mãe busca o melhor pro seu filho. Infelizmente, nem todo mundo tem talento, bom senso ou informação pra isso. Palavras do meu psiquiatra: nem todo mundo é talhado para a paternidade/maternidade. Infelizmente.
E, mesmo que o sujeito até seja, não quer dizer que ele saiba tudo que é preciso para dar uma boa formação ao rebento. Ninguém é perfeito e ninguém sabe de tudo. E é de extrema sabedoria, num momento desses de total falta de informação, procurar outras opiniões. E que estas opiniões sejam de pessoas bastante diferentes, para que se possa haver uma ponderação dada por diferentes pontos de vista. Não adianta nada você perguntar pro pai do amiguinho do seu filho que vive uma vida parecidíssima com a sua e enxerga o mundo exatamente da mesma forma. Ele só vai dizer… aquilo que você já sabe.
A menos, obviamente, que você esteja atrás de confirmação para os seus próprios preconceitos. Aí são outros quinhentos…
Mas voltando ao assunto: COMO EU SEI SE ESTOU MANDANDO BEM MATRICULANDO MEU FILHO NUMA ESCOLA, CURSINHO, AUTO ESCOLA E WHATEVER?
- Procure saber qual é o projeto político-pedagógico da escola, que, em linhas gerais, é o resumo da filosofia de ensino da escola, valores, e como ela se propõe a ensinar e a tratar seus alunos. Vale para cursos de idioma, aulas de música, academias (sim! academias!) e o escambau. Toda instituição de ensino tem um projeto por detrás de seu funcionamento (e se não tiver, fuja dela.
É impressionante a quantidade de matrículas feitas sem verificar este “pequeno detalhe”. A maioria das pessoas sequer sabe que isso existe, e colocam seus filhos em cursos e escolas com base no achismo e na opinião de quem também não sabe nada do assunto. - Pondere sobre o projeto. Cada instituição de ensino segue uma filosofia. Inclusive as escolas públicas, que fazem parte de um grande projeto pedagógico unificado mais abrangente, têm suas diferenças. Um Colégio Pedro II não é um CAP, que também não é um IME, que por sua vez não tem nada a ver com um CEFET. E cabe a você, pai/mãe e ao aluno(a), se já for grandinho, pensar direitinho sobre o assunto. Pode ser que os valores de uma instituição sejam muito diferentes dos valores da família. Pode ser que o tipo de formação que se busque seja melhor no lugar B, mesmo que o A pareça muito melhor à primeira vista. O processo para entrar em certas instituições às vezes é muito rigoroso, e os custos podem ser muito caros. Gastar tempo ponderando nesta etapa significa que não se gastará tempo se arrependendo depois. Ou sofrendo.
- Se possível, faça uma visita à escola, não só para ver as instalações, mas pra olhar nos olhos dos professores e dos alunos. Porque são essas pessoas (funcionários, corpo docente e alunos) que farão parte da vida do seu (sua) querido filho(a) por um bom tempo. Às vezes, por toda infância e adolescência.
- Procure saber quem são os bons professores que dão aula hoje na sua cidade, e descubra onde eles colocam seus filhos para estudar. Bons professores são, por natureza, obcecados com boa formação. Nenhum professor digno de respeito vacilaria neste item. Uma instituição tem que ser boa para ele(a) confiar os próprios rebentos. Mais uma vez. é preciso prestar atenção à divergência de valores. Se o filho do professor estuda numa escola de formação humanista, por melhor que seja, talvez não sirva ao seu aspirante a sargento.
Vacilos mais comuns que pai e mãe cometem:
- Botar o filho na escola perto de casa – Tiro no pé, porque você está sacrificando em formação pra ganhar em logística. Nem preciso explicar o que vai custar mais caro a longo prazo.
- Botar o filho na escola mais cara ou na mais barata – Quem tem dinheiro sobrando em geral comete o primeiro erro, e quem não tem quase nada em geral faz a matrícula na primeira escola que aparece, pública ou particular. Repito: informação é o importante aqui. Pesquise, investigue, se vira e descubra se existe uma opção ao seu alcance que seja mais adequada à sua realidade/necessidade e à do seu/sua filho(a).
- Escola não aprova pra vestibular – Quem consegue aprovação é o(a) aluno(a) com base na própria formação QUE FOI CONSTRUIDA AO LONGO DOS ANOS. Se fosse tão fácil assim, teríamos um método único e infalível de produção de universitários que sequer precisaria do filtro do vestibular. Infelizmente, este tipo de propaganda enganosa atrai aos pais menos informados e mais ingênuos.
- Cursinho não é escola e também não aprova pro vestibular – Um cursinho nada mais é do que um intensivo de treinamento pra uma prova, para dar um trato no vestibulando, intelectual e emocionalmente. Mas, de novo, repito: o que aprova é uma formação sólida. Cursinho dá só um bônus pequeno, que por si só, não é nada.
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Estava com saudade dos posts-dica. Acho que num post futuro próximo falarei mais especificamente de aulas de música. Ou de cursos de complementação de formação.





