27/08/2011

True Bypass

Eu comprei um pedal de Wah outro dia. Como bom guitarrista, fiquei uns três dias curtindo o brinquedo novo e vendo o que ele era capaz de fazer. E, obviamente, fui contar para os meus amigos guitarristas como que era o pedal.

Então, um deles veio me perguntar se o pedal tinha circuito “True Bypass”. Eu disse que sim, e junto com a resposta, veio um sorriso de aprovação. Ele tava pensando em comprar um pedal de Wah também, e achou ótimo que ele tivesse esta função, porque não queria que o pedal modificasse o timbre limpo da guitarra.

Eu falei que era isso mesmo, mas tinha um porém: por conta do “True Bypass”, além do ruído estalo de quando se aciona o pedal, ele muda bastante o timbre da guitarra. E este timbre fica muito tosco se o “pedal do acelerador” do Wah não for utilizado. Rapidamente, seu sorriso de aprovação virou uma cara de desapontamento.

Expliquei pra ele que “True Bypass” é uma faca de dois gumes. Que tem vantagens e desvantagens.

Pedais com essa característica possuem, além do circuito por onde passará o sinal da guitarra, um desvio. Ele atuará somente quando o pedal está desligado, fazendo com que o sinal não entre no circuito, e consequentemente, não sofra nenhuma modificação.

O resultado é que o sinal poderá fatalmente será alterado drasticamente quando o efeito for acionado. Além do inevitável ruído de “clique” do acionamento do efeito, fatalmente haverá uma diferença muito grande no volume do instrumento quando se pisa no pedal, além da mudança de timbre.

Num pedal sem este dispositivo, não existe outro caminho alternativo por onde o sinal possa seguir. O sinal entra no circuito e pronto, e estará sujeito a modificações e distorções naturais do dispositivo. Mesmo que o efeito esteja desligado, o circuito estará atuando no sinal. E isso pode ser bom ou ruim.

As vantagens deste tipo de circuito são o oposto: permitem uma transição suave, sem mudança de timbre (pois este será constante com o efeito acionado ou não), e sem o clique. Além disso, pedais deste tipo costumam ter ajuste de ganho do sinal limpo, para compensar a diferença de volume causada pelo efeito. Assim, dá pra garantir que o som com e sem efeito tenha o mesmo volume.

08/05/2011

Flanger e Phaser

Saudações!

Feliz dia das mães a todos os leitores. E como oje é dia das mães e instinto materno impera, teremos dois efeitos pelo preço de um :D

Flanger

Um belo dia, Les Paul (sim, o próprio) foi gravar umas coisas utilizando seu pedal de Chorus. Só que ele teve uma idéia inusitada: pegar o sinal copiado do Chorus que seria aplicado no sinal original e realimentar o circuito com ele.

Solda aqui e ali, e ele ligou a saída do circuito que copiava, desafinava e defasava o sinal de volta ao seu início, fazendo um loop.

Esta ligação faz com que a segunda cópia seja misturada à primeira , também com uma pequena defasagem. E este novi sinal, resultado da soma defasada entraria novamente no sistema, criando um loop infinito e retro alimentado. E a cada nova sobreposição de sinais, frequencias seriam intensificadas ou reduzidas por soma e subtração de harmonicos.

Resultado: som de vento, redemoinho e turbina de avião. Chega a ser poético…

Curiosidade: o nome do efeito vem da época do delay de fita. Para criar essa sonoridade, os tecnicos de estúdio metiam o dedo na peça onde estava montado o rolo de fita magnética, fazendo ela girar mais devagar para criar os atrasos. E Flanger era o nome da peça.

Phaser

O circuito do Phaser é quase igual ao do Flanger. A única diferença é que são acrescentados ao primeiro uma série de filtros Passa-Tudo. Estes filtros deixam passar todas as frequencias sem atenuar nenhuma, mas alteram a fase do sinal. Estas defasagens entre sinais criam somas e cancelamentos de harmonicos.

O resultado sonoro lembra um pouco o Flanger, pelo jeitão de som que fica oscilando, mas sem o timbre de turbina:

Dica: fica mais fácil perceber o efeito por volta de 1:00 de musica, quando o Eddie faz os arpejos e depois termina deixando a guitarra soar.

Como usar, lembrando sempre que:

Regra de ouro número 1: vá mexendo no seu equipamento até você achar o som que você gosta

Regra de ouro número 2: leia o manual de instruções

Prosseguindo:

  • Botões básicos: “Level” (regula a intensidade do sinal copiado em relação ao sinal original – serve pra colocar pouco, médio ou muito efeito), “Rate” (regula a frequencia das oscilações);
  • O Flanger tem menos presença que o Chorus, mas ainda assim engorda o som. O Phaser ainda menos.
  • Em doses homeopaticas, fica bom para usar em partes soladas. Ajuda a engordar o som de uma forma sutil, principalmente se for usado com distorção. Ninguém vai perceber o efeito de imediato, só se voce tira-lo;
  • Pra usar em bases, acho bacana usar doses maiores, pra deixar o efeito bem nítido, na cara do ouvinte. É meio clichê, mas funciona;
  • Como todo efeito que oscila no tempo (se algo oscila, é lógico que é no tempo, mas não consegui formular frase melhor), vale a pena casar o a oscilação com o beat da música, ou algum múltipo do beat – dois tempos, quatro tempos, etc.
  • 99% de chance de embolar muito o som se for usar com Delay, Reverb e Chorus. Use com cuidado. Aliás, se você souber como misturar esses osciladores todos e ficar bom, me ensina. Eu posto aqui no blog com os devidos créditos.
  • Curiosidade: quem gosta muito de usar esses efeitos são os tecladistas, mais até do que os guitarristas. Aliás, os circuitos de Phaser e Flange são a base de funcionamento de alguns sintetizadores.
24/04/2011

Chorus

Dando prosseguimento à série de posts sobre os efeitos sonoros utilizados em shows e gravações, hoje falaremos do Chorus!

Chorus fazendo história nessa gravação

Este efeito, assim como a distorção, divide os músicos – guitarristas em especial.

Há aqueles que amam de paixão o chorus e usam o efeito sempre que podem, graças a sonoridade meio “etérea” que o efeito produz, dando aquela encorpada maneira. Outros detestam este “enriquecimento artificial” do som, transformando-o em algo que ele não é.

Eu tenho um desses. Muito bom. Não, não to ganhando nem um centavo pela propaganda.

Etimologia e origens

“Chorus” vem da palavra “Coro”. Este efeito emula as características acústicas específicas de um grupo de vozes humanas. Como isto é possível? Deixa eu explicar rapidinho:

Em geral, coros tem uma quantidade grande de integrantes. Mesmo um coro pequeno ganha da maioria dos grupos musicais em termos de quantidade de músicos, com vários integrantes por naipe. Isso significa que sempre vai ter um grupinho de pessoas (ou grupão, dependendo) cantando a mesma coisa, diferente das bandas, onde cada músico assume uma função.

Aí e que está a beleza da coisa toda: mesmo com um coro profissional, com excelentes músicos habituados a cantar em coro – que é algo bem diferente de cantar com acompanhamento ou solando a capella  – as pessoas não cantam exatamente a mesma coisa nunca.

As entradas, por mais precisas que sejam, sempre tem uma defasagem de milésimos de segundo. Acontece a mesma coisa com a afinação, onde cada integrante vai cantando variações microtonais imperceptíveis em relação aos colegas.

O resultado deste somatório de oscilações é uma massa sonora mais densa, com aquela sonoridade “etérea” que é a marca registrada dos coros.

O acompanhamento da guitarra tá com um chorus. Aliás, guitarrista de blues usando Chorus com timbre limpo é o que mais tem.

Tecnologia

Esse é outro efeito que segue a mesma idéia básica do delay e do reverb: copia-se o sinal para atrasá-lo em relação ao sinal original. As diferenças estão nos atrasos variáveis e aleatórios da cópia do sinal. Além das oscilações de tempo, o circuito do também oscila a frequencia da cópia em relação ao sinal original. Depois é só somar tudo no canal e pronto!

Como Usar:

Regra de ouro número 1: vá mexendo no seu equipamento até você achar o som que você gosta

Regra de ouro número 2: leia o manual de instruções

Isso posto, vamos às dicas:

  • Botões básicos: “Level” (regula a intensidade do sinal copiado em relação ao sinal original), “Rate” (regula o tempo das oscilações) e “Depht”  (regula a oscilação das frequencias sonoras). Alguns tem botão de equalizador do sinal copiado também;
  • Cuidado na hora de usar. Este efeito faz o som ficar mais “gordo” do que o que ele realmente é, realçando frequências não muito evidentes em condições normais. Significa dizer que, se for mal utilizado, ele vai realçar o que não deve e embolar o som.
  • Redobre o cuidado se for usar este efeito junto com Delay e/ou Reverb, pelos motivos expostos acima;
  • Vale a pena calibrar o tempo do Chorus em função do beat da música, do mesmo jeito que se faz com o Delay, ajustando o “Rate” pra casar com as subdivisões da música. Não é obrigatório, mas ajuda a fazer o efeito soar mais fluido e menos embolado;
16/04/2011

Musica x Jogos = …

Pois é, amiguinhos. Graças a duas semanas cheias de trabalho sem direito a fim de semana pra descansar, não tive tempo pra escrever nada de novo pra vocês. Só ontem mesmo que a coisa acalmou.

Fim de semana tá aí, então é hora de tirar o atraso e a teia de aranha do blog com duas pequenas pérolas que só as interwebz são capazes de produzir.

A primeira é esse joguinho. Que na verdade nem é um jogo. É apenas uma grade, onde os quadrados correspondem a notas musicais.  Você clica nos quadrados para tocá-los. Serve tanto como passa-tempo como ferramenta pra ensinar música.

Polifonia sem muita cara de polifonia. Dica da Clara Gomes!

É só desenhar linhas e colunas para fazer melodias e acordes que são tocados em loop eterno. O ritmo é quadradão e as notas formam uma escala pentatonica, o “problema” da dissonancia.

 Ainda assim, a idéia de se desenhar uma música que é tocada imediatamente é incrivelmente simples e genial. Fica a dica para os developers de games, apps e coisas do tipo.

 O outro protótipo que mistura jogo com música é o clássico Guitar Hero, versão hardcore (gamer).

Sai a guitarrinha de plástico, entra uma Fender Squier tunada com sensores em cada traste e um controlador MIDI, além da entrada pro cabo da guitarra. Ao invés de botões coloridos, cordas. E nas marcações coloridas na tela, aparecem as indicações de qual corda e qual casa do braço da guitarra se deve tocar. Dá pra tocar transcrições perfeitas das músicas dos jogos, para o deleite dos guitarristas e pesadelo de quem vai cuidar da burocracia de direito autoral.

O mais legal de tudo isso é a possibilidade de se tocar um instrumento de verdade, capaz de produzir som, ao invés de um joystick em forma de guitarra. Fora que a tecnologia também pode ser utilizada em violões e contrabaixos, o que dá a possibilidade de plugar a banda inteira num computador ou num console.

Esse projeto talvez nem chegue no mercado, mas não se pode tirar o mérito de uma idéia boa e bem executada.

Depois dessa, eu só espero estar vivo no dia que plugarem uma orquestra completa num console de videogame.

03/04/2011

Delay e Reverb

Há muito tempo atrás – nem tanto tempo assim, pra falar a verdade, não são nem cem anos –  nos primórdios dos sistemas de áudio, quando a música concreta era novidade e as antenas de transmissão e recepção de rádio idem, havia uma necessidade enorme de se criar uma reprodução sonora de qualidade.

Parte desta necessidade estava ligada à recriação da sensação de ambientação sonora. Essa qualidade do som do mundo real que a gente escuta 100% do tempo e nos dá a sensação do espaço onde o som acontece e da localização das fontes sonoras dentro dele.

Infelizmente, microfonação pura e simples cria dois inconvenientes: ou o som perde toda sua ambiência, tornando-se seco, artificial e cansativo de ouvir por ficar muito “na cara”, ou a esta mesma ambiência adiciona sujeiras e sons indesejáveis àquilo que você quer ouvir. Sabe quando é impossível ouvir alguém no celular por conta do barulho da rua? É por aí…

A solução? Tirar toda a sensação de ambientação proporcionada pelas reflexões sonoras, “secando” o som, para depois devolve-la artificialmente, juntamente com a sensação de localização no espaço das fontes sonoras

Cordas na frente, madeiras e metais atrás, e a percussão láááá no fundo

Cordas à frente, Madeiras e Metais ao fundo. O ideal é que isso seja preservado numa gravação.

Aulinha de Física

A sensação de ambiência é dada pela reflexão dos sons nas paredes e objetos. O som bate neles e é devolvido, simples assim. Às vezes mais, às vezes menos, e numa sala muito “seca”, que absorve quase todas as reflexões, não se escuta quase nada.

Sabe por que as pessoas adoram cantar no chuveiro enquanto tomam banho? Porque, em geral, banheiros são espaços bem pequenos e cheios de superfícies que refletem bem o som. Azulejos, espelhos, torneiras de metal, a pia, etc… Então, o som demora mais para cessar e quase nenhuma frequencia é absorvida. Resultado: mais som com menos esforço.

Na prática Um sinal de audio, para emular o efeito físico da reverberação ambiental, apenas precisa ser “clonado” e atrasado em relação ao sinal original. É assim que se emula um eco.

Os primeiros efeitos de delay e reverb analógicos foram obtidos por meio de cópias múltiplas de uma gravação em fita colocadas para tocar com uma pequena defasagem, para depois serem misturadas novamente no sistema de som. Esse tipo de efeito era o chamado “Tape Reverb”, ou “Reverb de fita”, por razões óbvias.

Provavelmente você já viu um destes em algum filme.

Muito legal pra usar em estúdio, mas não é prático e nem barato o suficiente pra uso caseiro, nem para shows. Nada que os engenheiros de som não pudessem melhorar. Eles pensaram então que, ao invés de gravar um sinal duas vezes para depois misturá-los, eles podiam simplesmente botar o sinal de audio para ser tocado e re-captado de volta, devidamente atrasados. Eles conseguiram isso fazendo vibrar placas de metal ou molas. E assim surgiam os reverbs de placa e mola, respectivamente, muito populares em amplificadores de guitarra graças ao seu baixo custo.

Olhaê o reverb de placa. Alguns orgãos Hammond tinham dentro uma unidade dessas.

E depois, lá pela década de 80, quando inventaram os sistemas de processamento digital de audio, ainda mais baratos que os sistemas de placa e mola. Os racks de reverb digital convertiam o sinal analógico em informação digital, alteravam o som por algoritmo ao gosto do freguês para armazena-lo em buffer e depois devolve-lo ao sistema com atraso. Além de mais baratos, esses sistemas são menores, mais leves e mais fáceis de transportar, o que é otimo para músicos e estúdios.

Pedal de Delay e Reverb. Nunca testei, então, não sei se é bom.

Hoje em dia, com os plugins de software de gravação e edição, dá até pra controlar, equalizar, modificar, deformar e fazer o diabo com cada repetição de som individualmente, criando os sons mais loucos possíveis.

Delay x Reverb

No fundo, no fundo, Delay e Reverb são a mesma coisa: som repetido com um atraso. A diferença entre um e outro é apenas o tempo entre um atraso e outro. A sensação de ambiência do reverb é dada por repetições rápidas em relação ao primeiro som, com um atraso curto. Já a sensação de repetição do delay é obtida por um atraso muito longo. A conta eu não sei ao certo, mas para o Reverb os atrasos são em torno de 20 milissegundos, e para o Delay, acima de 150. Se eu estiver errado, me corrijam por favor.

Como usar:

Regra de ouro número 1: vá mexendo no seu equipamento até você achar o som que você gosta

Regra de ouro número 2: leia o manual de instruções Isso posto, vamos às dicas:

  • Botões básicos que qualquer sistema de delay e reverb: “Time” (tempo entre repetições), “Dry/Wet” (controla a mistura de sinal original e sinal repetido, respectivamente), “Repeats” (número de repetições). Os nomes variam de marca pra marca, mas o básico do básico é isso aí. Alguns pedais mais complexos possuem o “Pre-Delay” (atraso até a primeira repetição) e equalizadores.
  • A ordem com a qual os efeitos é ligada faz diferença. Ligar a distorção antes do reverb significa que o som distorcido será repetido. Se fizer ao contrário, as repetições é que serão distorcidas. A ordem dos fatores altera o produto.
  • Se for usar o delay, regule o efeito para casar a batida da música com o tempo das repetições, para evitar que estas embolem e acabem criando uma massa sonora sem ritmo definido. A não ser, claro, que a sua intenção seja exatamente essa.
  • Alguns sistemas possuem um seletor de “colorido”, para emular a sonoridade dos reverbs de placa, mola e fita.
  • Se for gravar, uma recomendação pessoal: grave o som seco e deixe para colocar efeitos de ambiência depois. Colocar coisas extras no seu som é facil. Difícil é tirar o que já está lá.
  • A sensação de disposição espacial de um grupo se deve, em grande parte, ao uso do reverb.
  • Quanto mais reverb se coloca num instrumento ou voz, mais ela soará “recuada” em relação aos demais instrumentos, como se a fonte sonora estivesse atrás de todo mundo. Quanto mais reverb, mais atrás.

Por hora, eu acho que é só isso. Se eu lembrar de mais alguma dica, eu coloco aqui depois.

27/03/2011

Distorção

Eu achei o documentário sobre os pedais de Wah-wah tão legal que eu resolvi copiar a ideia na cara dura e fazer meus próprios posts sobre equipamentos de som e efeitos. Sim, amigos, por algum tempo, meus problemas de pauta se acabaram! =D

E hoje falaremos do meu efeito favorito, o feijão com arroz dos guitarristas, a DISTORÇÃO!

Também conhecido com "Estragaizer" pelos fanáticos fundamentalistas do som limpo.

A história da distorção se confunde um pouco com a história dos sistemas de áudio. Como já foi dito em outros posts, não existe nenhum sistema de som perfeito. Uma vez microfonado e convertido em sinal elétrico, o som sempre sofre algum tipo de modificação. O que se ouve sair das caixinhas de som do seu PC nunca é exatamente igual ao que foi tocado na gravação. Na melhor das hipóteses, se o sistema de som for bem bacana, ele será 99.99999999999% fiel ao original.

Obviamente, ninguém quer ouvir uma gravação tosca, e é nesse sentido que os engenheiros de audio e som trabalham, construindo equipamentos e sistemas que possam criar a resposta mais fiel possível do som original, com circuitos que modifiquem o mínimo possível do som ou que o façam de forma controlável.

Limites dos aparelhos

Qualquer aparelho, caixa, amplificador, telefone ou sistema que funcione com um microfone captando som de um lado e jogando som do outro por meio de falantes é construído para operar numa determinada faixa de frequências e intensidades sonoras.

Quando um sinal elétrico muito alto entra num sistema de som, ele precisará ser “cortado” para funcionar dentro dos limites possíveis. Esse corte de pedaços de freqüência e de harmônicos é o que distorce o som.

Olha o sinal elétrico sendo "achatado" pra caber no sistema

Neste processo, alguns harmônicos são muito amplificados, outros nem tanto, e outros são cortados. Esse é o desafio de quem trabalha com áudio:  garantir que ao gravar uma voz ou um instrumento, pedaços dos sons não fossem perdidos permanentemente por conta de distorções no som original. Se numa gravação, em algum momento, houver achatamento do sinal, a gravação precisa ser refeita, porque não dá pra consertar danos de sinal cortado.

Mas, e se alguém quisesse, de propósito, usar o timbre do som distorcido por pura necessidade estética?

Gravado diretamente em linha, pro desespero dos engenheiros de som.

Nesse dia o John Lennon, o mentor intelectual da coisa toda, foi demitido da gravadora.

Em algum momento, os músicos começaram a achar que distorcer o timbre dos instrumentos seria legal. A adição de harmônicos fazia os instrumentos soarem de forma mais presente, e o “clipping” dava uma “sujeira” (detesto esse termo) a mais no som.

Não demorou muito para os próprios engenheiros perceberem a existência de um mercado inexplorado. Começaram então a projetar seus próprios circuitos de distorção, com opções de controle e coloridos diferentes. Estes circuitos vinham embutidos nos amplificadores de instrumento – o famoso “canal sujo” – ou em circuitos avulsos em forma de pedal ou rack.

 

Rack de distorção RAT pra estúdio.

Como usar:

Regra de ouro número 1: vá mexendo no seu equipamento até você achar o som que você gosta

Regra de ouro número 2: leia o manual de instruções

Isso posto, vamos às dicas:

  • Toda distorção, ao ser ligada, gera um ganho no sinal de audio. Isto significa aumento de volume.
  • Quase todo circuito tem um controle de entrada de sinal, que amplifica ou atenua o sinal que estiver ligado na entrada dele. Quando o pedal tá desligado, o sinal passa por ele sem sofrer modificações no volume. Quando ele é ligado, o sinal será amplificado ou atenuado.
  • O ideal, IMHO, é deixar ele numa posição que faça com que o volume da distorção fique parecido com o do canal limpo, sem deixar um salto absurdo de intensidade de som. Assim você tem dois canais – limpo e sujo – operando mais ou menos na mesma intensidade de som.
  • Repito: esta é apenas a minha humilde opinião. Cabe a cada um decidir a melhor forma de usar o próprio equipamento.
  • A principal diferença entre uma distorção valvulada e de uma transistorizada está no “clipping”. A segunda tem um corte muito mais brusco que a primeira, gerando quase uma onda quadrada no sinal de audio. Isso faz com que o som fique muito mais áspero. Hoje em dia, com as pedaleiras digitais, dá pra escolher que tipo de “clipping” você prefere, então é bom saber a diferença na hora de escolher ou construir seu timbre distorcido.
  • Válvulas queimam e precisam ser trocadas de tempos em tempos. Transistores tem uma vida útil maior. Pense com calma antes de gastar dinheiro, e veja se o equipamento compensa o preço cobrado.
  • Se for ligar vários efeitos em série, pense com calma. Colocar a distorção por último significa que todos os outros efeitos ligados anteriormente também serão distorcidos.

E eu acho que, resumindo tudo muito resumido, é isso. Agora é esperar pra fazerem um documentário para cada pedal de efeito! :D

Até lá, vocês vão quebrando o galho com os meus posts =P

21/03/2011

Chora, neném!

A alegria do meu fim de semana passado foi esse documentário (em inglês, infelizmente) sobre o pedal de Wah-wah. Na opinião deste humilde guitarrista, é o filme do ano. Sério, vale cada minuto:

O nome do pedal – “Crybaby” ou “Wah-Wah”, tanto faz – vem do tipo de modificação que ele faz no som de um instrumento, simulando uma abertura e fechamento de boca. Sabe quando você abre a boca pra pronunciar um “AAAAAAH” bem aberto e depois fecha pra pronunciar um “UUUUUU” bem fechado? É exatamente isso que ele faz com o som de qualquer instrumento a ele plugado.

A idéia por trás do pedal é quase idiota de tão simples que é. É como ter um botão extra de “Tone”, desses de aumentar agudos e graves da guitarra, no formato de um pedal de acelerador de carro, tudo num único circuito.

E mesmo tão simples, essa sonoridade única que só o Wah-Wah tem ajudou a moldar o jeitão da música do Século XX.

Não acredita? Assista o filme, e preste atenção nas músicas e nas mil e uma maneiras de usar o pedal que já inventaram.

18/03/2011

Lobão

Considerações:

1 – Ele é um sujeito sem papas na língua que fala o que quer e ouve o que não quer. Tem colhões, fato. Mas…

2 – Ele compra briga com quase qualquer pessoa, por qualquer motivo que seja. Fica parecendo aquele cachorro que não pode ver um carro andando que vai atrás latindo. Hoje ele mete o malho no Caetano, amanhã no Restart, depois na MTV, depois em mim e em você. Fica difícil saber pelo que e/ou contra o que ele luta.

3 – Sabe aquele tipo de pessoa que tem intelecto e sagacidade e absolutamente nenhuma gota de bom senso? Pois é. Isso explica porque ele consegue ser tão sagaz e articulado em alguns momentos e dar tiros de bazuca no próprio pé em outros. É um sujeito que poderia ter ido muito mais longe se ele próprio não se sabotasse tanto.

4 – Um grande mérito dele: lutou pra desenvolver um trabalho próprio e independente, peitando interesses comerciais de gravadoras e indo a luta pra vender seu trabalho autoral. Lutou também, junto a outros músicos de renome, para que fosse aprovada a lei de obrigatoriadade da numeração de CDs prensados, permitindo à classe musical ter uma idéia do volume de discos produzidos e comercializados – e consequentemente, ter idéia do repasse devido de direitos autorais. Coisa inédita até então.

Lembrando que essa lei (Lei 4.540/01) só entrou em vigor em 2004. É muito pouco tempo.

5 – Gostando ou não do trabalho dele, ou do temperamento dele, o cara fez coisas bacanas para os músicos, sendo um dos pioneiros da produção independente e ajudando a criar leis que protegem os músicos. Merece um mínimo de respeito e gratidão, não merece?

16/03/2011

Maniqueísmos

Quem é melhor? Lady Gaga ou Maria Bethania?

Em termos musicais, não sou fã de nenhuma das duas. Não curto nem uma nem outra, por motivos diferentes, embora eu tenha que admitir que ambas se destacam em suas áreas, novamente por motivos diferentes. Se alguém quiser discordar e meter o malho em mim ou nos fãs da outra artista, a caixa de comentários é serventia da casa.

Mas, essa semana, uma coisa me chamou a atenção:

Enquanto que a Lady Gaga, em míseros dois dias arrecadou 250 mil dólares para as vítimas dos terremotos no Japão, a Maria Bethania recebeu autorização do Ministério da Cultura para captar 1,3 milhões de reais para… montar um blog de poesia. Algo que qualquer um faz de graça.

Traduzindo:

Enquanto que a primeira usou de sua influência na cultura pop pra arrecadar dinheiro para vítimas de uma catástrofe, a outra vai usar dinheiro público – isso mesmo, aquele dos impostos que a gente paga – para publicar vídeos de poesia. Videos que ninguém encomendou, mas que todo mundo vai pagar a conta, independentemente deles serem bons ou não.

Moral da história: pense duas vezes antes de idolatrar ou meter o malho em um artista. Ele pode ter um trabalho ótimo, mas é seu inimigo. Ou pode ter um trabalho questionável e ser seu amigo.

14/03/2011

Recesso, parte 2

Eu queria começar a semana com um post matador mas tá foda. Então vai mais um post de desculpas esfarrapadas com um “splash” de mea culpa.

Para quem não sabe, não tirei férias este ano.

Assim que o ano começou (segundo o calendário romano, ou seja, logo na primeira semana de janeiro) eu já tava ralando. Correndo atrás de emprego, de freela, fazendo os cursos de home studio, resolvendo burrocracias da faculdade, escrevendo músicas, estudando canto e instrumento, etc, etc, etc. Sem falar no blog.

E hoje, além do semestre letivo ter começado com todos os problemas típicos de uma universidade pública retomando a rotina academica (matriculas erradas, notas que não caem, professores que faltam, etc), eu to na reta final do curso de home studio, fazendo prática de gravação e ralando que nem um corno.

Resultado: falta-me tempo =/

Peço a vocês que tenham um pouco de paciência se o volume de postagens cair um pouco. Não abandonarei o blog. É só uma fase, vai passar.

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